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Gratidão, Esperança e o Real: O verbo que nos mantém de pé

Existe uma beleza silenciosa no simples fato de acordar e respirar. Gratidão, antes de ser palavra bonita posta em legenda de rede social, é um acerto de contas com Deus por estarmos vivos. É agradecer por ter ao nosso lado pessoas que não nos bajulam, mas que têm a coragem de nos mostrar a verdade. Como costumo dizer, a verdade é muito parecida com o espelho: ela não disfarça as marcas, mas devolve exatamente quem somos.

O problema de nós, seres humanos, é que temos uma memória curta para as bênçãos. Quando desejamos algo, choramos, pedimos e lutamos. Mas, no segundo em que conquistamos, aquilo passa a ser encarado como o “normal”. O extraordinário vira rotina, e a gratidão se dissolve na pressa de querer sempre mais. Esquecemos que construir algo de verdade exige tempo, suor e reconhecimento.

Para não nos perdermos nesse vazio, a vida nos exige fé. E a fé anda de mãos dadas com a esperança. Sem fé, a vida é quase nada; com ela, até as dores ganham algum sentido. A esperança é, talvez, a coisa mais bonita que vem logo depois da fé. É a vontade viva de erguer, de transformar, de colocar tijolo sobre tijolo.

O Fato, a Pureza do “Sim” e o Espelho da Realidade

Lembro de leituras e versos que atravessam a alma, como Adélia Prado ou Clarice Lispector, ao olhar para a simplicidade da vida. Nunca vou comer banana com casca, mas tenho a esperança poética e genuína de que continuemos podendo comer a banana sem a casca — que o essencial nos seja preservado.

A verdade e o fato muitas vezes travam uma briga dura com a realidade. A realidade nos esbofeteia com notícias difíceis, com a finitude, com o medo do fim. Mas a gente não quer lutar contra o fim; a gente quer aprender a viver o presente com a pureza do “sim”.

Pense na história de Maria. Quando a jovem de Nazaré aceita o chamado e diz o seu sim, as perspectivas ao redor eram de incerteza, julgamento e risco real. Ela não era casada na lógica rígida da época. Ainda assim, no seu “sim” límpido, existiu fé. E onde existe fé, existe tudo. A fé rescreve o destino porque não olha para o que o mundo dita, mas para o que a verdade edifica.

Esperançar não é Esperar Sentado

Aqui é preciso fazer uma escolha clara. Eu sou um homem de 48 anos, orgulhosamente pai de dois filhos. Sou contra as armas, contra a violência e contra essa frieza de quem simplesmente desiste das pessoas ou abandona a esperança. Mas a esperança em que acredito não tem nada a ver com passividade.

Esperança não é o ato de cruzar os braços e esperar. Esperar não constrói casa, não cura ferida, não muda país. O verbo que nos move precisa ser esperançar — no sentido ativo, no sentido transformador que nos faz ir à luta e fazer acontecer.

Sou o filho do caminhoneiro e da dona de casa de Santo Antônio do Monte. Já tive a honra de conversar pessoalmente com os últimos três presidentes da República e transitar por diferentes universos da nossa política e sociedade. Mas, seja no palácio ou na mesa de casa no interior, a minha fala nunca mudou. A minha bússola continua sendo a mesma: a esperança viva de quem sabe de onde veio e entende o valor do trabalho e da verdade.

Quero criar meus dois filhos sob a regência desse verbo. Não para que fiquem aguardando que o mundo mude por eles, mas para que tenham a coragem de erguer as mangas, cultivar a gratidão e mover as estruturas através do afeto e da ação.

O Encontro dos Três Pilares

A gratidão nos dá o chão e reconhece o milagre do hoje. O real nos dá a sobriedade do espelho, nos lembrando de quem somos sem os disfarces do ego. E a esperança — essa esperança ativa de fazer acontecer — é o combustível que nos lança para o amanhã.

No fim das contas, encarar o real sem perder a fé é o maior ato de coragem que podemos ter. Que a gente não se acostume com a beleza da vida, que a gente não se cale diante das falsidades e que nunca nos falte a força para esperançar.

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